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1 de outubro de 2010

Em tempos de Edgard Morin...

Foto: Instituto Agropolos
Foto: Instituto Agropolos

Por Amélia Gurgel*

Uma nova política de desenvolvimento vem sendo implantada nacionalmente para cuidarmos da nossa nação, um pedaço bem significativo deste planeta, onde a maioria dos recursos nacionais se encontra, ainda, em algumas regiões, intocáveis, mas com grandes riscos de se extinguirem, por isso uma preocupação em tomar providências.

As palavras desenvolvimento sustentável são as palavras de ordem!

É preciso examinar todas as coisas do ponto de vista sustentável. Nesta perspectiva, o estado do Ceará, a exemplo de outros estados, vem dinamizando uma política de desenvolvimento sustentável a partir de um novo modelo, cuja abordagem é territorial.

O Ceará foi dividido em Treze Territórios, e há um planejamento para formalizar o primeiro documento numa escala de maior amplitude do que os municípios que os constituem, denominado Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável (PTDRS), que ao mesmo tempo organiza cada espaço territorial bem como se define programas e projetos para o seu desenvolvimento sustentável.

Pensando com Morin, no planejamento para a continuidade do instrumento base para organizar os territórios, no Instituto Agropolos foi realizada uma reunião,  no dia 24 de setembro, com uma equipe multidisciplinar, para dar continuidade a esta ação territorial. Neste encontro discutiu-se o significado desta construção a luz dos Sete Saberes** necessários para uma Educação do Futuro, literatura que completou dez anos comemorados em recente Conferência Internacional em Fortaleza com a presença do ilustríssimo Humanista planetário.

Um dos saberes aponta a ética do gênero humano, que segundo nosso ilustre pensador a tríade: indivíduo/sociedade/espécie, cada um destes são não apenas inseparáveis, mas co-produtores um do outro,..., qualquer concepção do gênero humano significa desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer a espécie humana (p. 105,106). Este saber se desdobra em outros sete aspectos: respeito à diversidade, proteger a diversidade, vida democrática, diálogo, cidadania terrestre, destino planetário e humanidade/comunidade.

O convite às reflexão para dar continuidade a esta construção partiu da questão:  o que tem a ver o planejamento dos Planos Territoriais de Desenvolvimento Sustentável Rural (PTDRS) com cada saber pertinente a ética do gênero humano?

A ética do gênero humano vem corroborar com o respeito que deve haver entre cada grupo de participantes envolvidos neste planejamento, sejam os jovens, os quilombolas, os indígenas, os governantes, a sociedade civil, está em construção uma nova ética a partir de cada um desses atores e de sua ação cidadã.

O diálogo existe porque a metodologia utilizada é a participativa, onde todos precisam interagir,  comunicar relatar e expressar a ‘cara’ de um povo.

Proteger a diversidade – é um olhar geral dos municípios, em suas diversidades culturais, ambientais, mas que nesta divisão possa-se trabalhar não isolados, mas como um todo.

Respeito à diversidade e Humanidade/Comunidade – direciona a questão humana para o respeito com o compromisso de realizar um trabalho significativo para cada comunidade, para o povo.

Vida Democrática e Cidadania Terrestre – sem democracia nenhum destes espaços podem firmar sua identidade, é preciso buscar o bem de todos, para que todos tenham qualidade de vida, para além de micro espaços. Contribuir com caminhos metodológicos, com uma pedagogia que possibilite a interação e facilite o exercício da democracia.

Destino Planetário – todos os saberes apontados vão colaborar para que os homens possam juntos favorecer o plantio de um território sustentável e a reflexão sobre suas ações conscientes sobre o meio ambiente possam  contribuir para o destino de nosso planeta.

Este foi  o ponto de partida da reunião, mas no decorrer dela esta reflexão colaborou para as demais atividades realizadas e sobretudo para o cuidado em não só refletir, mas sobretudo de que a nossa consciência precisa estar em nós, para além de nós, na busca de aprimoramento para uma política de civilização ea consciência da Terra Pátria.

* Amélia Gurgel, consultora do Instituto Agropolos.

**Morin, Edgard. Os Sete saberes necessários à educação do futuro. 8ª Ed. SP: Cortez, Brasília, DF:UNESCO,2003.



Postado por autor: agropolos em   Artigos.  marcador Tags  destaquecapa3PTDRS.

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comentários

01/10/10 » Silva filho[ não tem ] comentou:

Gostei muito do seu artigo! Compreendi que essa "nova ética" é fundamental para a compreensão do nosso destino planetário! Continue escrevendo!

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