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29 de setembro de 2010

Agroindústria, vamos difundir este projeto?

silva_filho

Por Silva Filho*

Este artigo tem o objetivo de convidar os profissionais do Instituto Agropolos para divulgar as vantagens econômicas, sociais e técnicas que a agroindústria vem apresentando.  É um tema novo, por isso cabe difundi-lo com intensidade.

O campo está carente e precisamos provocar uma " revolução tecnológica". O momento é propício e as condições são ideais para inserir o binômio treinamento e tecnologia no meio rural, através da agroindústria familiar.

Precisamos convencer o agricultor e a agricultora familiar, de maneira técnica e honesta,  que eles podem e devem tornar-se empreendedores familiares rurais, basta  que assimilem informações adequadas e que gerem um conhecimento tecnológico capaz de fazê-los produtores de alimentos industrializados. E o Instituto Agropolos é um dos atores principais dessa proposta. Essa é a saída. É nossa missão dar-lhes garantias que isso é possíve!

Aqui, no Território do Vale do Jaguaribe, estamos empenhados nessa diretriz e temos visto resultados concretos e animadores.  Quando se implanta pequenos e médios empreendimentos agroindustriais, estamos verticalizando o setor primário, que é uma alternativa eficiente de desenvolvimento no meio rural local ou regional de um país. E não trabalhamos com o temor de gerar falsas expectativas. Pelo contrário, estamos levando ao homem e a mulher da zona rural esse novo olhar alvissareiro que foi lançado sobre a agricultura familiar.

Esse é um sentimento profundo de  que dias melhores já chegaram e que precisamos agarrar com unhas e dentes essas novas oportunidades de trabalho e renda que estão emergindo no campo. É a agroindústria familiar  chegando com força total, tal qual a bomba que explode a rocha! 

Essa iniciativa agroindustrial familiar abrange os setores produtivos vegetal e animal. Temos capacidade técnica  de aumentar a lucratividade por hectare plantado e por animal criado.  Aumentar a área plantada  e vender produtos  para mesa ou tratar sua vaca leiteira com ração balanceada e vender leite in natura.

Com essas atitudes tradicionais, entendemos que o produtor terá seu lucro aumentado, porém,   numa progressão aritmética. Entretanto se ele optar pela agroindustrialização de seus produtos, o lucro quadruplicará, quintuplicará,  numa progressão geométrica fantástica. E isso é fato.

Vamos a um exemplo na área vegetal. O CAJU, vendido in natura sem castanha, a Conab paga R$ 1,00 o quilo; todavia se o transformamos em DOCE, a Conab paga R$ 5,00 o quilo e ainda sobra a CASTANHA com casca que a Conab paga R$  1,20 o quilo. E a CAJUINA (essa vai bombar!) para merenda escolar e PAA, sabem o preço? A Conab paga R$  1,20 na garrafa de meio litro (500 ml) e a CASTANHA, de novo, fica para outra venda! Observaram a diferença?  Outro exemplo: a goiaba, in natura, a Conab paga R$  1,60 o quilo: porém, se processada para POLPA,  a Conab  paga R$  4,50 por quilo.

Como veem, é indiscutível que devemos incentivar a proliferação de pequenas fábricas de alimentos na zona rural. E nós, que fazemos ATER, somos diretamente responsáveis pelo sucesso ou fracasso dessa empreitada. Como somos guerreiros corajosos e otimistas, só a vitória nos interessa! É um belo desafio!

Agora, por favor, atentem para este conceito: como temos os Programas ATER-Agricultura e  ATER-Pecuária, por analogia podemos ter ATER-Agroindústria. Na prática, aqui no Vale do Jaguaribe já ocorre esse procedimento. E uma notícia boa, muito boa: nossa equipe de agroindústria, após o grande sucesso das tapiocas coloridas, ficou muito motivada para apresentar outras pequenas tecnologias no processamento de alimentos.

A partir do dia 10 de outubro já estaremos aptos a aplicar treinamentos para interessados nos cursos de Alimentos Minimamente Processados (frutas e verduras) e Produção de Picles. Cada curso terá a duração de 16 horas. Temos um colaborar muito competente, o técnico em agroindústria Makson Araújo , que contribui com a aplicação desses cursos livres.

Esse nosso entusiasmo tem procedência: o coordenador Territorial Robertson Lima tem  dado toda condição de trabalho e nos incentiva  na procura por inovação tecnológica.  Aqui no Território também estamos  investindo pesado nas tendências agroindustriais. Vejam: damos ATER a uma fábrica de rações, sediada em Limoeiro do Norte, e pasmem, é de uma associação da agricultura familiar! Vendemos a ração para produtores de leite com preços abaixo do preço de mercado e a associação ainda tem lucro.  Um sucesso!

Outra tendência é na área de laticínios, com tecnologia para pasteurização do leite e processamento de seus derivados: queijos, iogurte, bebida láctea, creme de nata, manteiga, doce de leite, sorvete e, o principal, empacotamento  industrializado desse leite. Os gestores municipais estão ansiosos para inserir em suas merendas escolares esse leite limpo, puro e higienizado.

Consideremos também a movimentação comercial  que teremos na ovinocaprinocultura, com suas vendas intensificadas pelo PAA e pelo PNAE. Por isso estamos entabulando intercâmbio com cidades que já detêm expertise no beneficiamento de peles, através de seus curtumes. É um nicho extraordinário de mercado e quase sem concorrentes.

Precisamos levar essas idéias para comunidades que apresentem potencial nesses ramos. E há outros segmentos, ainda inexplorados, onde a agroindústria cabe como uma luva.

Vamos pesquisar?  Vamos difundir?


* Silva Filho é técnico em Agroindústria do Território Vale do Jaguaribe.

Postado por autor: agropolos em   Artigos.  marcador Tags  Agroindústriadestaquecapa3Agricultura familiar.

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comentários

29/09/10 » Milena comentou:

Fantástico Silva Filho!!!

29/09/10 » LEOCADIO BARROSO(GRUPO DOS PRODUTORES DE UVAS DE VARJOTA) comentou:

PARABEMS,SILVA FILHO, VOCÊ REALMENTE É UM HOMEM DE VISÃO EMPRESARIAL. É MUITO IMPORTANTE QUE INSTITUIÇÕES COMO O AGROPOLOS TENHA NO SEU QUADRO FUNCIONAL,PROFICIONAIS DO SEU NÍVEL. ESPERO QUE SEUS COLEGAS ABSORVAM E DIVUGUEM COM DETERMINAÇÃO ESTAS IDEIAS,PARA QUE ELAS CHEGUEM COM A MESMA ENFASE NOS DEMAIS AGROPOLOS E ESPECIALMENTE NO DE SOBRAL ONDE ESTOU. ATENCIOSAMENTE, Leocadio Barroso

29/09/10 » MAKSON ARAUJO NUNES comentou:

“A implantação de empreendimentos agroindustriais de pequeno e médio porte, como forma de promover a industrialização rural e a verticalização do setor primário, é geralmente considerada uma das mais eficientes alternativas de política de desenvolvimento rural e regional de um país (...) É preciso que os produtores agroindustriais recebam apoio governamental ou de entidades visando o fomento da atividade. Mas, para ocorrer qualquer investimento é necessário obter informações sobre o setor.” (Luiz Carlos de Araujo, 2005, pag 6 e 7) As palavras acima mencionadas culminam com as belas palavras escritas pelo Sr. Silva em seu artigo... Ocultar a agroindústria em pleno século XXI é algo que não condiz com a realidade de mercado contemporâneo que precisa de inovações e produtos com valor agregado. Transportar esta idéia para o empreendedor rural é muito mais que pensar em uma empresa de fabrico de alimentos ou de produtos artesanais. A Agroindústria vai além dos pormenores indicativos de fabricação. Precisamos de capacitação que venha agregar além dos valores já conhecidos por quem é técnico da área; valores de marketing de vendas, BPF, rotulagem... E principalmente continuidade da capacitação. A Agroindústria já é uma realidade e pra que essa realidade seja continua, precisamos de políticas públicas e de pessoas com vontade de fazer acontecer. Sejamos corajosos e permitamos que a agroindústria venha aos que precisam, mas que venha com dignidade. Como tem que ser!

26/12/10 » GRACILENE MIRANDA VALE comentou:

olá, sou de saoluis maranhao e aqui nao tem essa delicia de creme de nata, e gostaria de saber como comprar. p vender aqui meu contato 098 8128 4909 tim

29/12/10 » Antonia Máximo de Sousa Lavôr comentou:

Parabéns Silva Filho! A sociedade precisa de informação desse tipo. 29/12/2010 Que os profissionais da área siga esse exemplo, de fomentar projetos que vão de encontro com as necessidade do homem do campo e com as oportunidades que a Agropolos disponibiliza. Sou leiga na área, mas entendo a importância que tem as atividades produtivas e a função social de uma agroindústria como fonte de emprego e renda para o meio rural e consequentemente para o crescimento de mercado. Feliz Ano Novo para você e todos. da Agopolos.

23/02/11 » NUBIA KÉCIA BARROS MARTINS comentou:

Adorei o artigo, Me chamo Núbia Kécia Barros Martins, sou formada em tecnologia em alimentos pelo Centec de Limoeiro do Norte - Ce, hoje IFCE - Instututo Federal do Ceará, tenho uma pequena fabricação de doces cremosos e em calda, como faço para vender meus produtos para a Conab, como é esse sistema, tem que fazer projetos, ou formar cooperativas, por favor se tiver essa informações me manda no meu e-mail. Gosto muito dessa area de transformar as matérias-primas em produtos agregando valor assim ao produto, gostaria de desenvolver um projeto aqui na Chapada do Apodi, de reaproveitamentos das frutas que se perdem - Agroindustria, como já trabalho nesta area. Tenho um pouco de experiencia em fabricacão de doces de leite cremoso, doce de mamão com coco, doce de mamão em calda, doce de caju em calda, doce de caju cremoso, doce de abacaxi em calda, doce de goiaba cremoso e em calda. Se o Instituto Agropolos desejar desenvolver algum trabalho nesta area tenho bastante interesse. Aguardo retorno por e-mail

24/02/11 » agropolos comentou:

Prezada Núbia, Vou encam inhar seu email para o Robertson, coordenador do escritório de Limoeiro do Norte. Agradeço por colocar-se à disposição do Instituto Agropolos. Cordialmente

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